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O WhatsApp e o triunfo do silêncio

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Andar de metrô é ver metade dos passageiros de olho no celular, conversando pelo WhatsApp. Nas mesas de um restaurante, na fila do cinema, na festa da família, no corredor da firma é a mesma coisa. Pessoas estão teclando ou gravando mensagens para alguém distante.
Lembra-se quando todos falavam ao mesmo tempo no celular? Lembra daquela gritaria incessante, o tom de loucura coletiva em locais fechados? Eu prefiro mil vezes o silêncio dos olhos fixos na telinha iluminada. O WhatsApp, como outros comunicadores como o Messenger, o Hangouts e o Skype, nos trouxe um pouco mais de paz especialmente em aglomerações urbanas. Acho uma bobagem reclamar que as pessoas "não conversam mais" enquanto estão manipulando seus celulares. Ora, elas estão fazendo exatamente isso: conversando!

A necessidade compulsiva de conversar é outra questão, e parece ser uma característica dos brasileiros. Somos o país dos botecos, do papo descontraído, da conversa. Com isso, pode-se concluir que refletimos p…

O Big Brother está de olho (no Brasil)

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A revista britânica The Economist publicou uma matéria (reproduzida pelo jornal O Estado de São Paulo) sobre o uso da tecnologia pelo governo da China. É uma realidade assustadora, onde os passos de cada cidadão são seguidos por câmeras de segurança e monitoramento de redes sociais.

A matéria levanta uma questão muito importante que merece reflexão. A tecnologia é como uma caixa de Pandora, que se desenvolve de acordo com as necessidades humanas, mas que pode fugir ao controle de quem a criou. Câmeras de segurança foram criadas para coibir o crime, não para vigiar cidadãos inocentes. Redes sociais existem para unir as pessoas, não para controla-las.

O problema não é a tecnologia em si. É quem está no poder. A China é uma ditadura implacável. Esse avanço tecnológico torna ainda mais importante a manutenção da liberdade em um país. O Brasil está cheio de gente querendo uma ditadura, à esquerda e à direita. O Big Brother não escolhe o lado.



Muito mais sobre tecnologia e política em Alma Dig…

A maldição dos smombies

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Smombies quer dizer "smartphone zombies", ou "zumbis dos smartphones". Pessoas que saem pelas ruas de olho na telinha, trocando mensagens ou jogando games. Pior ainda: gente que dirige seu carro de olho no WattsApp.

Gente assim não tem noção. E são os celulares que levam a culpa. Mas a solução pelo mal uso da tecnologia geralmente se encontra no próprio avanço tecnológico. Na Coréia do Sul, por exemplo, o número de acidentes causados por gente distraída pelos smartphones começou a subir de modo alarmante. O próprio governo então tomou a iniciativa e desenvolveu um aplicativo que percebe que você está andando olhando para o celular. Após sete passos, o celular trava. E só destrava se você der uma olhada ao redor.

A própria Coréia do Sul e a Alemanha estão experimentando sinais de trânsito visíveis do chão (para os Smombies de cabeça baixa). Têm ajudado a evitar acidentes. Mas ninguém ainda conseguiu inventar um aplicativo que forneça a homens e mulheres o bom senso de…

Westworld e os direitos dos robôs

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A segunda temporada de Westworld (HBO) começou no maior baixo astral. E nem poderia deixar de ser assim. A primeira temporada acabou na declaração de guerra entre robôs e humanos. A segunda tinha que começar com um banho de sangue e fluidos industriais. E todos parecem meio perdidos.

É isso que faz a grandeza de Westworld: mexer com um tema ético do futuro próximo - os direitos dos robôs. A série mostra um parque de diversões onde robôs servem de diversão para humanos, muitos deles sádicos e abusivos. Os robôs são tratados em Westworld como os animais são tratados  hoje na China.
Se já temos a aceitação de que os animais possuem direitos (e isso foi reconhecido em assembléia da UNESCO), por que não começar a pensar nos direitos dos robôs? Através do aperfeiçoamento físico e da inteligência artificial, eles ficarão cada vez mais parecidos com seus criadores.


O tema começa a despertar a atenção de cientistas, como Paul Bloom (psicólogo) e Sam Harris (neurocientista), que publicaram um artig…

John Kennedy "ressuscita" para ler seu último discurso

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A notícia passou desapercebida. Mas o ex-presidente dos EUA, John Kennedy, morto num atentado em 1963, realizou seu último discurso. Agora, em 2018.


Quando JFK levou os tiros em Dallas no dia 22 de novembro de 1963, trazia no bolso um discurso sobre a situação política na Ásia e a rivalidade com a União Soviética. Com seu assassinato, o discurso nunca foi lido.

Em março de 2018, por iniciativa do jornal britânico The Times, esse texto foi lido pelo próprio Kennedy através de recursos de inteligência artificial. Um computador "aprendeu" o jeito de JFK falar, analisando dezenas de registros de sua fala. Em seguida, "leu" o discurso com o timbre, o sotaque e a entonação do ex-presidente.

O resultado é ao mesmo tempo fascinante e assustador. Com a popularização dessa tecnologia de ponta poderemos um dia ouvir, digamos, nossa irmã falando com sua voz tão conhecida coisas que ela jamais disse. Ou algum famoso político capturado num "fake speech". Na minha opinião,…

O inferno das redes sociais são os usuários

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Os governos da Indonésia e Sri Lanka estão fechando redes sociais em seus países, ainda que parcialmente. O problema nos dois países é mais religioso que político, mas o temor é o mesmo: que a guerra permanente que ocorre no Facebook, Twitter, etc, se transfira para as ruas, com resultados catastróficos.

O problema, me parece, não são as redes, mas seus usuários. No Brasil temos um ano de eleição pela frente e as perspectivas de uso das redes - especialmente Facebook - são preocupantes. Nas redes muita gente perde qualquer espírito crítico e até o senso de ridículo. E acredita em qualquer coisa, multiplicando fake news e opiniões obscenas.

O Brasil também vai ter que um dia ameaçar fechar as redes sociais? Longe disso. Mas é necessário que todos os usuários tenham mais consciência do que fazem lá dentro. O caso parece perdido no caldeirão tóxico do Facebook. Mas em outras redes - como o Instagram - os usuários poderiam tentar a experiência de não politizar seu conteúdo. Eu tenho feito i…

10 Razões Para Se Ler Livros Digitais

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1) Preço. Exemplo: Obras Completas de William Shakespeare em papel: R$ 125. No digital: R$ 3.
2) Portabilidade. A minha biblioteca cabe no celular.
3) Versatilidade. No livro digital é possível mudar o tamanho das letras, o tipo utilizado, a cor do fundo.
4) Mídia. Dependendo da ocasião, o mesmo livro digital pode ser lido num celular, num tablet, num notebook, num desktop ou numa TV. 
5) Agilidade. Um livro de papel pode demorar dias e até meses para chegar ao comprador. O livro digital chega com um toque na tela ou no mouse.
6) Democratização. Um livro digital em auto-publicação não tem intermediários (editores, etc). Quem tem que decidir se ele é bom ou não é o leitor.
7) Meio ambiente. Um livro digital não precisa matar árvores para ser produzido, nem poluir o ar para ser transportado.
8) Espaço. Livros digitais não precisam de estantes e paredes.
9) Mercado global. Um livro digital pode ser vendido e comprado praticamente em todo o mundo.
10) Atualização. Um erro num livro de papel só pod…